Sentar ao lado de quem opera
Meia hora atrás de cada perfil, sem interromper. O caminho real quase nunca é o caminho que o gestor descreve na reunião.
A tela que a sua equipe abre às oito da manhã e fecha às seis raramente foi desenhada por alguém. Ela foi acontecendo.

Fomos chamados, anos atrás, para "deixar mais moderno" o painel de uma distribuidora. Passamos dois dias no depósito e não trocamos nem a tipografia.
O que trocou foi a ordem das colunas da tabela de separação e a memória do filtro. A equipe parou de refazer a mesma seleção quatro vezes por turno.
A partir dali paramos de aceitar projeto de painel sem observação. Sem ver o trabalho acontecendo, o desenho responde à reunião e não à operação.
A grade de permissões entrou depois, quando um cliente descobriu no meio do projeto que o estagiário enxergava a margem de cada pedido.
O caminho real da equipe raramente é o descrito na reunião.
Tarefa repetida cem vezes por dia paga cada clique economizado.
Na operação, a lista bem desenhada vale mais que qualquer gráfico.
Quem vê e quem edita se decide em grade, não em aviso de bloqueio.
Ninguém elogia um painel interno. O que se ouve é o contrário: o filtro que some, a tabela que não cabe, o relatório que precisa de chamado. Trabalhamos em cima dessa lista de reclamações, e não de referência de produto bonito.
Meia hora atrás de cada perfil, sem interromper. O caminho real quase nunca é o caminho que o gestor descreve na reunião.
Achamos a ação feita o dia inteiro e contamos quantos cliques ela custa hoje. É nela que o desenho tem mais a devolver.
Coluna congelada, largura ajustável, ordenação que permanece e busca que aceita o jeito como a pessoa digita o código.
Quem filtra a mesma fila todo dia não deveria remontar o filtro toda manhã. A escolha anterior volta sozinha.
O que cada cargo enxerga e altera é desenhado como tela, não resolvido com um aviso de acesso negado.
Mensagem com o campo, o motivo e o próximo passo. Código de erro só serve para quem escreveu o sistema.
Falas colhidas nas conferências finais, publicadas com autorização das empresas.
O cadastro tinha quarenta campos numa tela só. Virou quatro etapas e a taxa de cadastro pela metade sumiu.
O relatório mensal saía por chamado. Agora é um botão, e o chamado deixou de existir.
Eles sentaram do lado da minha equipe por dois dias. Foi a primeira vez que alguém perguntou como a gente trabalha de verdade.
A grade de permissões apareceu antes do desenho. Descobri que três cargos enxergavam coisa que não deviam.
O levantamento responde em uma semana, com o cronômetro rodando ao lado de quem opera e a lista das tarefas em ordem de desgaste.